Projeto de Chávena (2018)
Clara Sampaio 



Sociedade Anónima 
Clara Sampaio, Jorge Cabrera, Raquel Moreira
2018-2019

O projeto Sociedade Anónima propôs a concepção e a apresentação de um conjunto de trabalhos a partir da ideia de vestígio, apagamento e memória, tendo como ponto de partida as ruínas da fábrica de cerâmicas Santa Clara (antiga Sociedade de Porcelanas, SPC), localizada em Coimbra, Portugal. Em uma primeira fase, realizamos um levantamento de dados e documentos históricos sobre o local; e, posteriormente, daquilo que existe na atualidade. Na ocasião da sua primeira apresentação, na exposição O Mundo em Trânsito, a proposta coletiva focou-se principalmente na chávena, objeto de predominância naquele cemitério industrial, mas também no prato e noutras peças que continuam em uso em muitos lares portugueses.  O coletivo pretende continuar essa investigação e produzir outros trabalhos a respeito, no contexto das sociedades pós-industrializadas.

Os trabalhos propostos fazem uso de diferentes meios como o vídeo, o desenho, a fotografia e a escultura; centram-se no debate de projetos site-oriented. Nesse sentido, cada um dos artistas mergulha para além do registo das atuais condições da fábrica de cerâmica, ponto de partida, ultrapassando a sua origem, convocando questões políticas, patrimoniais e identitárias, por meio das potencialidades formais, estéticas e simbólicas da ruína.

Clara Sampaio (BR) propõe uma reflexão sobre a substituição de manufaturas e processos menos industriais de cerâmica pela produção globalizada em larga escala. A partir de uma visita preliminar ao local, foram encontrados e recolhidos alguns objetos cerâmicos. Em O Mundo em Trânsito, a artista apresentou uma xícara (chávena), seu desenho técnico e fotografias em 360º, em uma tentativa de deixar gravadas evidências que possibilitam sua reconstrução futura. 

Raquel Moreira (PT) centra-se na ideia de invisibilidade associada ao abandono dos objetos e dos espaços, procurando explorar por meio do desenho (desenho de contorno, do espaço negativo) esses vestígios do património industrial, sobre cuja existência e origem muitas vezes não nos questionamos. 

Por fim, Jorge Cabrera (VE / BR) propõe a realização de vídeos-performance, que abordam conceitos de memória, ruína e apagamento representado pela ausência/ presença dos corpos (corpos de operários, corpos de outras culturas extintas), representados no seu alongamento por meio dos objetos e do espaço. Aproveita-se o fato,  em uma revisão histórica de culturas e saberes disseminados ou abandonados, para criar paralelos entre geografias no século XXI. Para a construção do trabalho, foram aproveitadas chávenas e pigmentos minerais encontrados na Fábrica, que para sua primeira exibição, foram apresentados ao lado de um vídeo (https://vimeo.com/313127742, senha 12345).



1.
Fotos: Clara Sampaio


Legenda dos trabalhos:
Desenho técnico de chávena, impressão sobre papel, 21 x 29.7 cm; 
Sem título, impressão sobre papel, 21 x 29.7 cm
Prateleira de madeira com chávena encontrada

Apresentado em:
Exposição Mundo em Trânsito (Colégio das Artes, Portugal)
Curadoria: Antonio Olaio