jamais o desejo
Texto realizado para exposição coletiva realizada no Ateliê B12, Lisboa, Setembro de 2024.
O que, por um lado, pode ser idílico, como os verões da infância,
o aproveitar de cada segundo,
viver intensamente em outro ritmo, criar memórias para o futuro,
registrar os dias ensolarados, imagens em movimento,
com todas as suas texturas, cheiros e sabores
sentir o sol na pele, sentir o sal
sentir simplesmente,
pode ser, por outro, um verão de quem não pára
O verão de quem não tem verão
Quem a máquina silenciosa do capital
Devagarinho, devagarinho, vai processando subjetividades, tempos de descanso, de brincar, de fabular, de sonhar, de existir
É um estar mais atento no mundo que vai nos lembrando que,
em nenhuma estação,
a vida está em pausa.
E que as coisas vão sendo feitas como se pode, nos espaços entre, como propôs Mallarmé, encontrando o texto nos vazios do texto,
resistindo às intempéries
E, em momentos limítrofes,
rompendo o verso (crever les vers)
É preciso encontrar, também, na vida
densidade, ensejo,
espessura, tesão
porque pois mais que se tente conter
o verão ou a primavera (2)
Nem a engrenagem nem o acaso hão de abolir o desejo.
Artistas
Aianne, Cibele Bonfim, Dárida Rodrigues, Duda Affonso, Jamila Baroni
Lia Krucken e Pedro Loester, Natália Loyola,Oficina Fritta, Thais Graciotti,
Victor Gonçalves
Curadoria
Clara Sampaio
Produção
Atelier b12
www.b12.pt